Comunicação e Neurociência: Por que seu cérebro te trai quando você mais precisa dele

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Escrito por Gabriela Nunes

Comunicação e Neurociência: Por que seu cérebro te trai quando você mais precisa dele

Sabe aquela sensação maravilhosa de entrar numa reunião decisiva e, exatamente na hora que você mais precisa demonstrar segurança e clareza, seu cérebro resolve simplesmente sumir? Pois é. A culpa não é só sua (mas um pouco é, vamos combinar). Seu cérebro está programado para sobreviver, não para impressionar o chefe ou fechar vendas incríveis.

Você já deve ter escutado por aí que comunicação é tudo, mas a neurociência veio para complicar (ou ajudar) um pouco mais essa história. Comunicar não é apenas falar ou escrever bem. Comunicação é sobre entender como seu cérebro funciona e, principalmente, como o cérebro do outro também opera. Sim, estamos falando de neurociência aplicada à comunicação. E, spoiler: o cérebro é meio traiçoeiro.

O cérebro: entre você e o sucesso da sua comunicação

A grande ironia é que nosso cérebro é incrível para inventar desculpas criativas depois que tudo dá errado, mas péssimo em evitar essas situações. Sabe por quê? Porque antes de raciocinar, o cérebro sente, julga, e reage.

Imagina que você está num feedback construtivo (também conhecido como aquele momento onde a única coisa construtiva é sua vontade de construir um túnel e sumir dali). Nesse instante, seu cérebro primitivo, aquele amigo jurássico que habita em você, interpreta o cenário como ameaça, disparando cortisol e adrenalina como se você estivesse prestes a enfrentar um tigre-de-dentes-de-sabre.

Resultado: suas mãos tremem, sua boca seca e você esquece metade do que tinha planejado dizer. Aí você sai pensando: "Cadê minha comunicação assertiva quando eu preciso dela?" Pois é, exatamente ali seu cérebro resolveu bancar o Neandertal.

Comunicação assertiva: como hackear o cérebro

A boa notícia é que, apesar dessa predisposição pré-histórica ao desastre comunicacional, podemos usar a neurociência a nosso favor. Veja algumas estratégias rápidas (para você não esquecer):

  1. Respire fundo (simples, mas eficaz) A respiração profunda reduz a liberação de cortisol, o hormônio do estresse. Menos cortisol significa menos cérebro em pânico.

  2. Abrace o silêncio constrangedor A pausa estratégica permite que seu cérebro racional (Sistema 2, se quisermos impressionar Daniel Kahneman) entre em cena, substituindo a reação instintiva por uma resposta pensada e calculada.

  3. Visualize antes de agir Seu cérebro adora imagens. Imaginar previamente uma conversa positiva e tranquila cria caminhos neurais que ajudam seu cérebro a perceber menos ameaças.

  4. Mostre interesse real (ou pelo menos finja bem) A empatia ativa o sistema de recompensa no cérebro do outro. Quando alguém sente que você realmente o ouve, a comunicação flui melhor, reduzindo o risco de reações defensivas.

Comunicar é humano (errar também)

Comunicação eficaz não significa nunca errar. Significa entender que seu cérebro, assim como você, tem limites e manias. Conhecer esses padrões neurais é a chave para uma comunicação assertiva e realmente eficiente.

Portanto, na próxima vez que seu cérebro tentar te sabotar, lembre-se: você é quem manda (ou deveria). Dê uma pausa, respire fundo, visualize o sucesso e siga em frente. Afinal, entender seu cérebro pode ser a melhor estratégia para não precisar construir túneis de fuga imaginários no meio de reuniões importantes.

E aí, já teve algum momento épico onde seu cérebro te traiu em plena comunicação importante? Conte aqui nos comentários (a gente promete não julgar muito).

 

Sobre Gabriela Nunes

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A Gabi Nunes é fundadora da de.Humanos. É graduada em Administração, especialista em Neurociência aplicada à Psicologia, e em Gestão de Negócios, possui mais de 15 anos de experiência na área de comercial, treinamentos e palestras atuando em multinacionais de diversos segmentos. Atua como professora na Fundação Getúlio Vargas - FGV, lecionando as matérias de Neurociência e Gestão de Carreiras, Neuroliderança, Theater for Business e Comunicação, Neurolinguística e Storytelling. É mãe de dois gatinhos lindos, Charlie e Giorgio. É apaixonada pela lua e pelas coisas simples da vida.